MUCURA, é a segunda música do EP que inaugurou e consolidou o estilo Pop Indie Amazônico (Ixé Pop Indie Amazônico). A música e o videoclipe, foram gravados no Palácio Villa Philippe, construído por Dom Pedro II, no Rio de Janeiro e foi cedido pela proprietária, a artista francesa Julie d’Aimé.
O trabalho já está disponível em todas as plataformas digitais e no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=nFMxON_bSBc), e chama a atenção pela qualidade de imagem, som, ritmo, grafismos de luz e poesia indígena.
De acordo com Eric, MUCURA, é um manifesto ritual de força, cura e reinvenção, inspirada no poema “Florestal” do dramaturgo amazonense José Ribamar Mitoso, que fundou o teatro indígena, Teatro Mito Ritualístico. O clipe lembra ao mundo que a história da Amazônia merece ser contada pela ótica de quem já estava aqui antes do “descobrimento do Brasil”.
“É um gesto muito poderoso de retomada histórica e literalmente de reescrita da verdadeira história do Brasil. Porque a gente tem o Brasil com um olhar europeu, né? A história do nosso país foi escrita pelos portugueses, pelos europeus. Então eles colocaram o caldo que eles queriam colocar na história como protagonistas.
Então, a gente, que é povo originário, não fomos citados na história devidamente. Ainda fomos colonizados e até hoje as crianças nas escolas estudam o descobrimento do Brasil como sendo algo muito importante, marcante. Porém, não deveríamos chamar de descobrimento uma terra que nunca esteve perdida, que não estava escondida”, revela o artista.
A música tem como personagem principal um dos animais silvestres mais emblemático do Brasil, a Mucura, que também é conhecida como Gambá ou Saruê, em outras regiões do país.
“Eu escolhi a mucura porque é um animal que chamam de feio, um animal que é morto, violentado e agredido. Sempre que ela é avistada é morta, sendo que ela é fundamental para ecossistema da floresta. Por que a gente não valoriza um bicho que é tão importante quanto ele? Por que os corpos pretos e indígenas, as pessoas que vive à margem da sociedade, são desvalorizadas, são mortas, agredidas e violentadas? A nossa vida é menor do que a dos outros? O Norte, por exemplo, é menor do que as outras regiões? Então, a mucura, não pode mais ser desrespeitada. Na verdade, ninguém, nenhum ser vivo. Então, eu ressignifiquei isso”, disse Eric.
O elenco reúne artistas, performers e representantes de diferentes povos e comunidades, tanto do Amazonas como de outros estados, como Helyo Felipe a Regiane Pereira, atores que são de origem paulista, Noélia Albuquerque de Sergipe, Kadosh Olive do Piauí e atores do Rio de Janeiro.
“Venham todos escutar a música e ver clipe no Youtube. Compartilhe com seus amigos. É um trabalho feito de forma colaborativa. Assim como em ‘Rio Negro’, todo mundo se uniu pra fazer esse trabalho, sem tanto recurso, tudo feito com a união de gente que acredita que podemos ir além. Sabe? quando se fala em floresta digital, estamos falando também de uma aldeia digital. Então, a nossa aldeia se uniu pra mostrar sua arte digitalmente. É isso que a gente tá fazendo e é só o começo”, concluiu o artista.


