Entre os dias 8 e 24 de abril, o Instituto Mamirauá realizou, em Tefé (AM), e em áreas florestais do Amazonas, o Curso de Multiplicadores em Turismo de Base Comunitária (TBC) e a 15ª edição do Curso de Gestão Compartilhada dos Recursos Pesqueiros, com foco no manejo participativo do Pirarucu em ambientes de várzea. As iniciativas integram o projeto Entre Águas Amazônicas e reuniram gestores de Unidades de Conservação, técnicos e representantes comunitários de diferentes territórios amazônicos. Com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), o projeto conta com as parcerias da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no papel de agência implementadora; e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ao qual o Instituto Mamirauá é vinculado.
A programação do Curso TBC ocorreu na sede do Instituto e na Pousada Uacari, dentro da Reserva Mamirauá, combinando momentos teóricos e vivências práticas em campo. A Pousada Uacari é uma das maiores referências no assunto, funcionando há mais de duas décadas sob a gestão de oito associações de moradores e a assessoria técnica do Instituto Mamirauá. Em 2025, a pousada faturou cerca de R$3.700.000,00 e recebeu mais de 600 hóspedes, entre brasileiros e estrangeiros interessados, em sua maioria, em conhecer o ecoturismo do Amazonas.
Já para o curso de Gestão Compartilhada de Recursos Pesqueiros, o local escolhido para a programação teórica foi o Centro Pastoral Irmão Falco, em Tefé (AM), e a etapa prática ocorreu na comunidade Boca do Jurupari, na Reserva Amanã.
Os cursos de multiplicadores fazem parte de uma estratégia do Instituto Mamirauá, centro de pesquisa aplicada localizado em áreas remotas da Amazônia, com a finalidade de disseminar o conhecimento produzido em conjunto com as comunidades tradicionais e indígenas. A metodologia do manejo do pirarucu, por exemplo, criada há mais de 25 anos já se espalhou por uma grande parte da bacia amazônica e salvou a espécie do risco de extinção. Dados preliminares das atividades de manejo de 2025 demonstram o impacto social positivo do programa do Instituto Mamirauá junto às comunidades: somente na Reserva Mamirauá, foram capturados pelos manejadores 7.776 pirarucus, rendendo o montante de mais de R$2,5 milhões.
Sobre o Curso de Multiplicadores em TBC
A formação foi direcionada ao público da frente de expansão do turismo de base comunitária no âmbito do projeto Entre Águas Amazônicas, em execução desde 2025 nos estados do Amazonas, Pará e Amapá. O curso propôs um espaço de construção coletiva, sem modelos pré-formulados, apresentando caminhos potenciais que dialogam com as realidades locais. A iniciativa contemplou tanto grupos que estão iniciando suas atividades no TBC quanto aqueles que já atuam e pretendiam aprimorar suas práticas.
Patricia Farias, liderança da comunidade do Pesqueiro, em Soure (Marajó – Pará), participou da atividade e destacou a importância da experiência. A paraense contou que compartilhará o aprendizado em seu território: “Vou levar o conhecimento que aprendi aqui para a minha comunidade com muito prazer. A oficina foi de uma importância única, sou muito grata por tudo que aprendi. A visita à comunidade indígena foi algo muito especial. Quero realizar uma oficina só com as mulheres na minha comunidade, sobre o que aprendi em Tefé, vai ser muito importante mesmo,”.
Nesse contexto, o turismo de base comunitária se consolida como uma estratégia promissora para o desenvolvimento sustentável na Amazônia. Para além da conservação da biodiversidade, a abordagem contribui para o fortalecimento social, como aponta Pedro Meloni Nassar, colaborador do Instituto Mamirauá e coordenador do Programa de Turismo de Base Comunitária. “O incentivo a esse modelo de turismo revela o potencial no bioma amazônico, principalmente pelo viés de melhoria na renda das famílias, com diversos benefícios intangíveis, que envolvem a participação de mulheres e jovens e a proteção de seus territórios”, destaca.
Gestão dos Recursos Pesqueiros – Manejo do Pirarucu em ambientes de Várzea
O manejo do pirarucu tem sido fortalecido por meio de ações coletivas, nas quais a organização comunitária ocupa papel central ao articular saberes tradicionais e conhecimento científico, integrados. Mais do que o aprimoramento de uma técnica, a iniciativa busca impulsionar a geração de renda e a conservação dos estoques de peixe na Amazônia.
Suzana Maia é Engenheira de Pesca e foi uma das pessoas treinadas na atividade. “O curso trouxe várias abordagens em questão de liderança e desembarque pesqueiro, que são problemáticas que existem e com a orientação que estou tendo aqui, posso levar melhorias nesse segmento”, concluiu a profissional que atua na região da Calha do Japurá, atendendo Associações que trabalham com o manejo participativo do pirarucu.
Um dos diferenciais dessas formações é a participação de lideranças de Unidades de Conservação, o que amplia o potencial de disseminação do conhecimento nos contextos locais.
“Essa iniciativa é muito promissora, no sentido de disseminar as boas práticas de manejo para outros territórios da Amazônia, como as colônias de pescas assistidas pelo Instituto Mamirauá. Colônias que precisam ser fortalecidas na área da Governança, da territorialidade e sobre fundamentos do manejo, o que empodera e fortalece essas organizações”, contribui Ana Cláudia, Coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto.
As iniciativas integram o projeto Entre Águas Amazônicas, financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) como agência implementadora e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) como agência executiva. Centro de pesquisa aplicada vinculado ao MCTI, o Instituto Mamirauá responde pela execução do projeto na ponta
Sobre o Instituto Mamirauá
O Instituto Mamirauá é uma Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que atua por meio de programas de pesquisa, manejo de recursos naturais e desenvolvimento social na Amazônia, tendo como linhas de ação principais a aplicação da ciência, tecnologia e inovação na conservação e uso sustentável da biodiversidade amazônica, bem como a construção e consolidação de tecnologias sociais e programas de manejo em parceria com comunidades tradicionais.

Foto: Divulgação/Mamirauá
