A dificuldade para enxergar, trabalhar e realizar tarefas simples do dia a dia faz parte da rotina de milhares de brasileiros que convivem com o ceratocone, doença degenerativa da córnea que afeta cerca de 150 mil pessoas por ano no país, segundo dados do Ministério da Saúde. Entre elas está Karen Cristina, de 37 anos, moradora de Manaus. Autônoma e atuando na área de vendas, ela convive há anos com o avanço da doença e com os desafios impostos pela perda gradual da qualidade visual.
Karen começou a perceber os sintomas enquanto trabalhava. Para conseguir utilizar o computador, precisava aumentar constantemente o tamanho das letras na tela. Com o passar do tempo, a visão continuou piorando.
Hoje, utiliza lentes especiais para conseguir desempenhar suas atividades. No entanto, a evolução do ceratocone fez com que os modelos que utilizava deixassem de oferecer os resultados necessários. Agora, ela precisa de lentes maiores, mais específicas e de custo mais elevado, produzidas de forma personalizada para seu quadro clínico.
“As lentes não são encontradas em qualquer lugar. São caras e precisam ser adaptadas. Mesmo usando, ainda tenho dificuldade para enxergar em várias situações”, relata.
Karen conheceu a campanha Junho Violeta ao ouvir um programa de rádio. A iniciativa foi instituída pela Lei Municipal nº 2.790, de autoria do vereador Joelson Silva, e integra oficialmente o calendário da cidade de Manaus desde 2021, promovendo ações de conscientização e prevenção sobre o ceratocone.

Karen conheceu a campanha Junho Violeta ao ouvir um programa de rádio
Segundo especialistas, o ceratocone provoca afinamento progressivo da córnea, causando visão embaçada, sensibilidade à luz, distorção das imagens e dificuldade para enxergar com nitidez.
A doença atinge principalmente adolescentes e jovens entre 10 e 25 anos, justamente uma fase decisiva para os estudos, a formação profissional e o ingresso no mercado de trabalho.
Outro dado que preocupa especialistas é que o hábito de coçar os olhos, muito comum em pessoas com alergias respiratórias e oculares, é considerado um dos principais fatores associados ao agravamento da doença.
Além disso, o ceratocone é atualmente uma das principais causas de transplante de córnea no Brasil, respondendo por parcela significativa da demanda atendida pelo Sistema Nacional de Transplantes.
Autor da lei que criou o Junho Violeta em Manaus, o vereador Joelson Silva destaca que a informação continua sendo uma das principais ferramentas para reduzir os impactos da doença.
“O ceratocone costuma evoluir de forma silenciosa e muitas vezes é confundido com outros problemas de visão. Quanto mais cedo houver o diagnóstico, maiores são as possibilidades de acompanhamento adequado e preservação da qualidade de vida do paciente”, afirma.
Especialistas recomendam consultas oftalmológicas periódicas, especialmente entre jovens, além de cuidados simples como evitar coçar os olhos e controlar alergias que provoquem irritação ocular.
Ao ampliar o acesso à informação e estimular o diagnóstico precoce, o Junho Violeta busca dar visibilidade a uma doença que afeta milhares de brasileiros e que pode comprometer significativamente a visão quando não identificada a tempo.

Foto: André Freitas
