A história das hidrovias brasileiras e sul-americanas vem sendo construída pelo desafio de transformar o potencial natural das águas em vetores estratégicos de desenvolvimento regional. Em territórios como a Amazônia, onde os rios funcionam como as verdadeiras estradas da floresta, debater a infraestrutura logística exige ir além da movimentação de cargas: é preciso discutir o desenvolvimento sustentável. Nesse cenário, a trajetória do engenheiro civil brasileiro, Adalberto Tokarski, conecta-se diretamente à busca por um modelo de navegação interior integrado e de baixo impacto ambiental.
Formado em Engenharia Civil e com MBA em Regulação pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Tokarski construiu uma carreira sólida e reconhecida no setor aquaviário brasileiro. Durante 15 anos na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), onde exerceu funções de gerência, superintendência, além de atuar como diretor e diretor-geral, o engenheiro participou ativamente da consolidação regulatória do setor e do fortalecimento das vias navegáveis que conectam o interior do país aos mercados globais.
Essa experiência em regulação de portos e hidrovias nacionais também alcançou relevância global. Tokarski representou a agência reguladora brasileira junto à Organização Marítima Internacional (IMO) e à Associação Mundial para a Infraestrutura de Transportes (PIANC). Nos fóruns globais, participou de debates fundamentais sobre planejamento de transportes, modernização tecnológica e, especialmente, a descarbonização das matrizes logísticas.
Atualmente, na presidência da Agência de Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação (ADECON), ele direciona sua atuação para a construção de consensos e soluções integradas. A entidade atua na aproximação entre governos, setor privado, especialistas e instituições multilaterais para promover uma agenda comum que fortaleça a navegação fluvial como uma das alternativas de transporte mais limpas e energeticamente eficientes do planeta.
Um dos principais marcos dessa liderança é o Diálogos Hidroviáveis, iniciativa criada pela ADECON há nove anos e que evoluiu para uma dimensão internacional de peso. O fórum passou a reunir representantes de países que integram a Hidrovia Paraguai-Paraná, como Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai, criando um espaço permanente de cooperação técnica, compartilhamento de dados e governança compartilhada entre as nações.
Ao longo de sua caminhada, Tokarski tem sustentado que o futuro da malha hidroviária depende do equilíbrio entre três pilares essenciais: planejamento técnico de longo prazo, segurança jurídica para atração de investimentos e inovação voltada à sustentabilidade. Diante dos desafios climáticos globais, a ampliação da navegação interior destaca-se por sua alta capacidade de transporte com índices significativamente menores de emissão de carbono por tonelada movimentada, em comparação aos modais rodoviário e ferroviário.
O reconhecimento por sua contribuição técnica ao setor é respaldado por importantes honrarias, como a insígnia de Grã-Mestre da Ordem de Rio Branco, concedida pelo Ministério das Relações Exteriores; a Comenda da Ordem do Mérito Naval, conferida pela Marinha do Brasil; a Medalha do Transporte Nacional, da Confederação Nacional do Transporte (CNT); além do título de Cidadão Paraense, concedido pela Assembleia Legislativa do Pará, estado vizinho que compartilha os imensos desafios e potencialidades da calha amazônica.
Mais do que uma biografia técnica individual, a trajetória de Adalberto Tokarski exemplifica a atuação de uma geração dedicada a repensar a logística. Para ele, as hidrovias, sejam no coração da Amazônia ou nos corredores de escoamento do Mercosul, devem desempenhar um papel transformador: utilizar os rios não apenas como meros canais de comércio, mas como caminhos estruturantes de preservação, integração regional e sustentabilidade socioeconômica.

