Manaus lidera o crescimento de áreas de favelas no Brasil desde 1985, segundo levantamento divulgado nesta semana pelo **MapBiomas. O estudo mostra que a capital amazonense registrou expansão de 2,6 vezes nas áreas ocupadas por favelas ao longo do período, mantendo a liderança nacional também em 2024.
Os dados revelam ainda que a Região Metropolitana de Manaus possui hoje a segunda maior área urbanizada em favelas do país, com cerca de 11,4 mil hectares, ficando atrás apenas da Região Metropolitana de São Paulo.
O crescimento das favelas em Manaus reflete um processo de expansão urbana acelerada e desafios históricos relacionados à habitação, infraestrutura e acesso a serviços públicos nas periferias da capital.
“Na favela, a gente cresce aprendendo a sobreviver onde o poder público quase nunca chega. Falta investimento, falta oportunidade, mas o que nunca falta é talento e vontade de vencer. O problema é que, muitas vezes, a periferia só é lembrada quando vira estatística”, afirma Dacota MC, artista e líder comunitário.
Para o presidente da CUFA Amazonas, Alexey Ribeiro, os números apresentados pelo levantamento reforçam uma realidade que já faz parte do cotidiano de milhares de famílias que vivem nas periferias da cidade e que precisa ser debatida com mais profundidade.
“Esses dados mostram uma realidade que quem vive nas periferias já conhece. Favela não é estatística, são pessoas, famílias e sonhos que muitas vezes convivem com a falta de serviços básicos e oportunidades. Em um ano eleitoral, a população precisa avaliar quais são as autoridades que realmente olham para esse cenário e que estão dispostas a representar essas comunidades para transformar essa realidade”, afirma.
Segundo o levantamento do MapBiomas, em todo o Brasil as áreas urbanizadas em favelas passaram de 53,7 mil hectares em 1985 para 146 mil hectares em 2024, crescimento que ocorreu em ritmo superior ao da expansão urbana geral no país.
Para a vice-presidente da CUFA Amazonas, Fabiana Carioca, que atua diretamente nas comunidades da capital, os números refletem uma realidade complexa que vai além das estatísticas.
“São famílias que enfrentam diariamente problemas relacionados à infraestrutura, acesso a serviços básicos, oportunidades de trabalho e dignidade. Quem está na ponta sabe que essa realidade é dura e exige políticas públicas estruturantes, mas também iniciativas que valorizem o potencial dessas comunidades”, destaca.
Trabalho de transformação nas periferias
Criada para atuar diretamente nas favelas e periferias do Brasil, a Central Única das Favelas (CUFA) desenvolve em Manaus uma série de projetos voltados à inclusão social, capacitação profissional e geração de oportunidades para jovens e adultos.
“Nosso trabalho não é apenas fazer doações. Queremos capacitar as pessoas, abrir caminhos e mostrar que existem possibilidades. A favela também produz talentos, empreendedores, artistas e lideranças que podem transformar suas próprias realidades”, explica Alexey Ribeiro, presidente da CUFA Amazonas.
Entre as iniciativas desenvolvidas pela organização nas comunidades da capital estão:
- cursos e oficinas gratuitas de **capacitação profissional e empreendedorismo
- projetos esportivos e culturais para crianças e jovens das periferias
- ações sociais e campanhas solidárias para famílias em situação de vulnerabilidade
- programas de incentivo ao empreendedorismo periférico
- projetos de comunicação, arte e cultura nas comunidades
Um dos destaques recentes foi a participação de empreendedores amazonenses na Expo Favela Innovation Brasil, evento nacional que conecta negócios criados nas favelas com investidores e grandes empresas.
“Por dois anos consecutivos conseguimos levar empreendedores periféricos de Manaus para a final nacional da Expo Favela. Isso mostra que, mesmo em territórios marcados por dificuldades, existem talentos e projetos capazes de competir em nível nacional”, ressalta Fabiana Carioca.
Para a liderança da CUFA Amazonas, o crescimento das favelas em Manaus precisa ser acompanhado por investimentos em políticas públicas, urbanização, educação, geração de renda e oportunidades, para reduzir desigualdades históricas e ampliar o desenvolvimento das periferias.
Informações da assessoria de imprensa
