A trajetória da professora, pesquisadora e bióloga Martha de Aguiar Falcão ganhou vida pelas mãos de crianças do 3º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Inaneide Cunha Marques, na Zona Leste, durante a Feira Municipal de Ciência, Tecnologia e Educação Ambiental, realizada no fim de julho. Inspirados pelo tema “Da Memória à Inovação: o protagonismo feminino na conexão entre ciência e tradição”, os estudantes desenvolveram um projeto que uniu pesquisa, educação ambiental e valorização da história de uma das maiores referências da ciência no Amazonas.
Com a orientação das professoras Enilza Rocha, Socorro Souza e Sylmara Fernandes, a turma apresentou o projeto “Martha Falcão: A Cientista que Ensinou a Amazônia a Preservar para o Futuro”, resultado de semanas de estudos sobre a contribuição da educadora para a formação de professores, a pesquisa científica e a preservação da biodiversidade amazônica.
Mais do que conhecer a biografia de Martha Falcão, os estudantes vivenciaram uma experiência de investigação científica. As professoras tiveram acesso ao Memorial Martha Falcão e levaram as informações aos alunos. No Memorial, existem objetos que ajudam a contar a história da educadora, como a cadeira preservada em sua homenagem, a lupa que simboliza sua dedicação à observação da natureza, o caderno de papel de pão utilizado para anotações, o quadro com a frase “Vou estudar para ser gente” e o livro A Semeadora: um ensaio biobibliográfico sobre a professora Martha de Aguiar Falcão, de Gaitano Antonaccio.
O estande também reuniu uma maquete, banner científico, frutas amazônicas como acerola, cupuaçu e goiaba, além da distribuição de mudas de araçá-boi e cupuaçu, incentivando os visitantes a refletirem sobre a importância da conservação das espécies nativas e da educação ambiental.
Para a professora Enilza Rocha, que teve a oportunidade de conhecer Martha Falcão ainda em vida, o projeto representou também uma homenagem à educadora que marcou gerações de amazonenses.
“Tive o privilégio de conhecer a professora Martha Falcão e sempre fui profundamente inspirada pelo amor que ela demonstrava pela educação e pela Amazônia. Poder apresentar sua história às nossas crianças é manter vivo um legado que continua ensinando que a ciência começa com a curiosidade, com o estudo e com o respeito à natureza.”, afirmou.
Segundo as educadoras, trabalhar a história de uma cientista amazonense com crianças dos anos iniciais contribui para fortalecer a identidade regional e mostrar que grandes exemplos também nasceram e construíram suas trajetórias na Amazônia.
Ao transformar a pesquisa em uma experiência prática, o projeto aproximou os estudantes da ciência de maneira acessível, incentivando a observação, a investigação e o cuidado com o meio ambiente. A iniciativa também destacou o protagonismo feminino na produção do conhecimento e reforçou que a preservação da floresta passa, antes de tudo, pela educação das novas gerações.
Para a gestora da escola Inaneide Marques, Ivete Rubim, falar sobre a professora Martha Falcão e o protagonismo feminino na conexão entre ciência e tradição foi um momento singular.
“Sua reflexão evidenciou a importância das mulheres na construção do conhecimento, valorizando a ciência sem perder de vista os saberes tradicionais que enriquecem a identidade amazônica. Uma fala inspiradora, marcada pela sensibilidade, competência e compromisso com a educação e a pesquisa”, disse Rubim.
Conheça a história e o legado de Martha Falcão
Martha de Aguiar Falcão superou uma infância difícil e trabalhou desde jovem para pagar os estudos. Graduou-se em Serviço Social e Química, tornando-se mestre em Botânica pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e pelo INPA, onde lecionou e pesquisou por mais de 50 anos.
Como cientista, foi pioneira no estudo ecológico de frutas nativas como o cupuaçu e o abiu. Seu amor pela Amazônia inspirou sua filha, Nelly Falcão de Souza, a fundar o Pinóquio Centro Educacional, o Colégio Martha Falcão e a Faculdade Martha Falcão. A bióloga faleceu em 8 de setembro de 2016, aos 87 anos, em Manaus.











